Para a venezuelana Aurymat Chinchila, 38 anos, as ferramentas tecnológicas que antes causavam receio tornaram-se ferramentas estratégicas para gerir sua própria autonomia.
Mãe de três filhos, Aurymat veio para Florianópolis em busca de um recomeço junto ao irmão, que morava há alguns anos na cidade e sonhava em reunir novamente a família.
Ao chegar na capital catarinense, há cerca de 3 anos, Aurymat encontrou na Círculos de Hospitalidade o suporte necessário para regularizar sua documentação migratória e a de seus filhos. Foi em uma das idas à organização, para montar um currículo profissional com a equipe de empregabilidade, que ela teve o primeiro contato com uma ferramenta que mudaria sua rotina produtiva.
“Fazia muito tempo que não mexia com computador, com tecnologia”, confessa. “A moça que me ajudou a fazer o currículo me falou dos cursos de Inteligência Artificial do Migra.Tech. Fiquei receosa, mas depois gostei de estudar. Gosto de estar informada.”

A barreira do idioma foi o primeiro grande desafio. Ao chegar no Brasil, a comunicação era um obstáculo quase intransponível, mas a curiosidade foi maior que o medo. Ela participou de dois módulos do curso de português oferecido pela Círculos de Hospitalidade em parceria com o Migra.Tech, que estimula o uso de aplicativos de IA para que os alunos avancem na prática da pronúncia ouvindo a própria voz para se corrigir.
Com o tempo, o uso da tecnologia deixou de ser uma fonte de receio para se tornar um “assessor” estratégico. Além do curso de português, ela fez o curso de IA para empreendedores, também oferecido pelo Migra.Tech. Para Aurymat, a IA hoje funciona como um braço direito na gestão da Tequeños Floripa, seu negócio de gastronomia típica venezuelana.
“As pessoas às vezes deixam de usar IA por medo, mas você se dá conta que passa a ter mais tempo livre, pois ela te ajuda a fazer as coisas mais rápido. Eu uso como um assessor financeiro e comercial. Pergunto onde posso vender meus produtos, peço estudo de concorrência, correções de conteúdo para as redes sociais e planejamento mensal.”
Essa automação permitiu que ela equilibrasse as demandas da produção com a vida pessoal. O tempo economizado nas planilhas e no marketing digital foi revertido para o controle de estoque, o inventário e para momentos de lazer com os filhos.

A Tequeños Floripa hoje opera em duas frentes: a venda de produtos congelados e a presença na Feira dos Imigrantes na avenida Beira Mar Norte, aos finais de semana e feriados. O cardápio é uma viagem pelos sabores tradicionais da Venezuela, oferecendo arepas, empanadas, chichas e os tradicionais tequeños.
Embora o público varie, chegando a ter meses com 80% de clientela brasileira curiosa pelos sabores venezuelanos, a essência do negócio permanece na persistência. Aurymat projeta o futuro com clareza: quer uma loja física de congelados que funcione diariamente, oferecendo opções para todas as refeições.
Para outras mulheres e imigrantes, ela deixa um conselho prático sobre os desafios que surgem pelo caminho:
“Se existe uma tecnologia que vai facilitar sua vida, use. Especialmente mães solo, que não têm tempo e enfrentam dificuldades para conseguir emprego. Essas ferramentas são como um assessor que você não precisa pagar. Não é para ter medo, é para dar utilidade.”
O Migra.Tech é implementado pela Círculos de Hospitalidade por meio de iniciativa da The Trust for the Americas, com apoio da Microsoft e Avanade.
Na bio do Instagram da Círculos ou pelo link a seguir, você acessa aulas e materiais sobre Inteligência Artificial do projeto Migra.Tech

