Boletim Mensal: O que o Projeto Educação Inclusiva e Intercultural alcançou em novembro?

Boletim Mensal: O que o Projeto Educação Inclusiva e Intercultural alcançou em novembro?

 

O mês de novembro foi cheio de encontros, aprendizados e conquistas importantes para o projeto Educação Inclusiva e Intercultural. Com apoio da Fundação ESAG e implementação da Círculos de Hospitalidade, seguimos firmes no compromisso de fortalecer a inclusão de pessoas refugiadas e migrantes em Florianópolis, garantindo acesso a direitos, acolhimento educacional e integração linguística e cultural
Confira o que marcou o mês!

 

Acesso a Direitos: Avanços que Transformam Vidas
O mês de novembro foi marcado por forte demanda de famílias migrantes e refugiadas em busca de orientação para garantir o acesso à educação e a outros direitos essenciais. A equipe atuou em três níveis de atendimento — Orientação Autônoma, Apoio Facilitado e Acompanhamento Assistido — garantindo que cada pessoa recebesse a ajuda adequada à sua situação.

O destaque do mês foram os dois mutirões de matrícula escolar, realizados em 14 e 18 de novembro. Como a etapa online costuma ser a mais desafiadora para as famílias, o apoio da equipe foi decisivo para que crianças e adolescentes não ficassem fora da escola em 2026. Ao todo, foram realizados 72 atendimentos a 65 pessoas refugiadas e migrantes que foram auxiliadas pela equipe da Círculos de Hospitalidade na área de orientações sobre acesso a direitos e serviços públicos,

O mutirão de matrículas ocorreu. nos dias 14 e 18 de novembro.

Programa de Apoio Pedagógico: Crianças e Adolescentes em Primeiro Lugar
Durante novembro, o Programa de Apoio Pedagógico realizou 8 encontros, com atividades que integraram apoio escolar, aprendizagem do português como língua de acolhimento, expressão artística e desenvolvimento socioemocional.

Apesar de uma diminuição pontual de frequência — comum no final do ano letivo — o mês apresentou um fortalecimento dos vínculos, aprofundando a confiança e abrindo espaço para que as crianças compartilhassem temas sensíveis, como bullying, adaptação, saudade e experiências familiares.

Os eixos trabalhados nas semanas incluíram Histórias e Narrativas, Empatia e Cooperação, Meio Ambiente e Identidade.
A presença da autora Fernanda Paraguassu, a criação de histórias em quadrinhos sobre trajetórias migratórias e atividades socioemocionais contribuíram para uma vivência rica, plural e afetiva.

As ações também alcançaram a comunidade escolar mais ampla: uma série de três oficinas foi realizada com os 4º anos do Colégio de Aplicação da UFSC, envolvendo 63 crianças em discussões sobre migração, direitos e diversidade. A atividade de contação de histórias com o Grupo Infâncias Protagonistas envolveu outras 41 crianças.

Somando atividades regulares e ampliadas, mais de 120 crianças e adolescentes brasileiros, migrantes e refugiados foram impactados em novembro.

Atividade sobre o livro “A menina que abraçava o vento”, de Fernanda Paraguassu, sobre uma menina refugiada congolesa.

Capacitação Intercultural: Fortalecendo a Rede que Acolhe
As formações realizadas em novembro dialogaram diretamente com o Dia da Consciência Negra, estabelecendo conexões entre migração, racismo e práticas de acolhimento no ambiente escolar. Nesse período, foram conduzidas duas atividades principais: uma capacitação no Colégio de Aplicação, que contou com a participação de 19 profissionais, e uma formação na UDESC para estudantes de Pedagogia, reunindo 32 participantes e incluindo adaptações de acessibilidade para alunas com baixa visão.

Os encontros exploraram temas centrais para a construção de ambientes educativos mais inclusivos, como os direitos das crianças migrantes, as barreiras linguísticas e culturais no processo de aprendizagem, e as expressões de racismo e xenofobia no cotidiano escolar. Também foram debatidas experiências diretas dos professores no trabalho com comunidades migrantes, bem como a integração entre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU e a infância migrante.

A participação foi majoritariamente feminina — 46 mulheres e 5 homens — refletindo a composição predominante da área da educação.

Contação de histórias no Colégio de Aplicação da UFSC.
Atividade com crianças do 4º ano do Colégio de Aplicação sobre migração e refúgio.

Português como Língua de Acolhimento: Mais Vozes, Mais Confiança
As turmas de Português como Língua de Acolhimento seguiram em pleno funcionamento, atendendo migrantes e refugiados de diferentes países que buscam se comunicar melhor, acessar direitos e se integrar ao cotidiano brasileiro.
Com aulas práticas, vivências reais e temas ligados ao dia a dia, o PLAc continuou sendo uma porta importante para autonomia e participação social.

O que aprendemos em novembro

Novembro reafirmou um princípio central do projeto: não basta abrir portas para acessar serviços; é preciso caminhar junto quando necessário. Foi um mês que evidenciou a força das ações integradas — atendimento, educação, proteção, cultura e formação — quando articuladas com cuidado e intencionalidade.

Aprendemos que:

  • o apoio às matrículas segue sendo uma necessidade crítica para famílias migrantes;
  • vínculos pedagógicos sólidos criam ambientes seguros para expressões profundas e significativas;
  • escolas brasileiras se mostram abertas e curiosas quando têm espaços de diálogo qualificados;
  • a formação continuada de educadores é essencial para combater barreiras linguísticas, religiosas e raciais que impactam crianças migrantes.

Encerramos o mês com resultados robustos e impactos que ultrapassam os números. Cada atendimento, cada participação, cada pergunta feita por uma criança brasileira sobre a experiência de outra criança migrante mostra que estamos construindo, passo a passo, uma cidade mais acolhedora e sensível à diversidade.

 

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Cynthia Orengo

Vice-presidente

Cynthia é gestora de pessoas e servidora do Ministério Público Federal. Trabalha com projetos que resgatam o princípio da dignidade da pessoa humana, por meio de ações de responsabilidade social e voluntariado. Foi parceira da Círculos de Hospitalidade em diversos projetos e ações, como o Pedal Humanitário, que idealizou junto com a Bruna Kadletz. Apaixonada  pelas causas humanitárias, acredita em um mundo sem muros e fronteiras. Na organização, trabalha com ações de acolhimento, proteção e integração de pessoas deslocadas.